sábado, 25 de julho de 2015

Somente se Queixa 

Ditoso seja aquele que somente  Se queixa de amorosas esquivanças; 
 Pois por elas não perde as esperanças  De poder nalgum tempo ser contente. 
  Ditoso seja quem estando ausente  Não sente mais que a pena das lembranças; 
 Porque inda que se tema de mudanças, 
 Menos se teme a dor quando se sente.  
 Ditoso seja, enfim, qualquer estado,  Onde enganos, 
desprezos e isenção  Trazem um coração atormentado. 
  Mas triste quem se sente magoado  
De erros em que não pode haver perdão  Sem ficar na alma a mágoa do pecado.
Luís Vaz de Camões

2 comentários:

emanuel moura disse...

Maravilhoso querida afilhada ,deixo-lhe um soneto que adoro muito ,muitos beijinhos

Amor é um Fogo que Arde sem se Ver
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

Portugalredecouvertes disse...

não conhecia esse poema, já copiei, vou tentar traduzir para o meu bloguinho de poemas!
feliz dia para ti

que a poesia seja sempre uma fonte de amor

beijos
Angela